O Casal
Essa é a história de um casal completamente improvável, que se conheceu no último grande evento antes da pandemia: O CARNAVAL DE SALVADOR.
- Versão da Noiva
Lembro de fazer algumas metas logo depois da virada do ano, em 2020, e uma delas era a de não me envolver mais com quem não estivesse alinhadíssimo comigo, então, quando fui chamada pela minha amiga da vida Bianca pra conhecer o Carnaval de Salvador, estava muito animada para a festa, e certa que seria apenas pela companhia e diversão.
Fomos para o circuito encontrar mais um casal de amigos que estava ficando em um apartamento lá dentro, e quando chegamos, fui logo recepcionada por Gustavo. O primeiro pensamento foi logo "hmmm, exatamente meu número", que eu fiz questão de afastar na mesma velocidade, afinal, era o primeiro dia de cinco que teria que encontrar meus amigos por lá e não trocaria a chance de ter um banheiro limpinho pra usar em pleno Carnaval por um beijo misterioso.
Os dias foram passando, fui no camarote, em algumas pipocas e blocos, e continuei indo pro apartamento todas as noites, conversando com todos e curtindo. Gustavo deu alguns indícios leves que estava afim, e eu fiz questão de fingir que não estava vendo nenhum deles, mesmo com os amigos (um beijo pros nossos cupidinhos Gaspri) insistindo que seríamos uma boa combinação. Eu realmente estava em paz na minha própria companhia e não ia movimentar um centímetro pra algo acontecer. No penúltimo dia ele me pediu um beijo, e eu achei o pedido tão sincero, que concordei. Nos beijamos embaixo de uma árvore e tivemos uma noite divertida juntos. Voltei pra São Paulo com a certeza que tinha vivido um bom Carnaval e cheia de histórias pra contar.
Em pouco tempo ele me achou no Instagram e começamos a conversar virtualmente. Eu jurava que nunca mais nos veríamos de novo, eu morava em São Paulo e ele tinha acabado de se mudar pra Bauru, mas nosso papo era legal, leve e despretensioso, e então começamos a conversar todos os dias.
Em duas semanas o lockdown começou, e com o início da pandemia, minha vida nunca mais foi a mesma. Gustavo se mudou pra capital pra atender pacientes com COVID e eu comecei a trabalhar totalmente remoto. Nos conectamos muito mais virtualmente que pessoalmente. Viramos amigos e confidentes. Ele me contava dos plantões infinitos e como estava sendo atuar na linha de frente, e eu contava sobre como o mercado de trabalho estava se transformando rapidamente pra atender essa nova versão de mundo. Passávamos o dia todo conversando por mensagem, e foi assim que ele ficou conhecido entre minhas amigas oficialmente como meu webnamorado.
Só depois de sete meses é que nos encontramos pela segunda vez. Aí eu descobri que, pessoalmente, para surpresa de todos, ele era um homem de pouquíssimas palavras. Ou seja, nosso tempo de namoro virtual foi crucial pro nosso namoro da vida real poder acontecer. Gustavo me conquistou assim, com seu jeitinho carinhoso e consistência. Era com a companhia dele que eu acordava e dormia, por meses, enquanto todo o mundo colapsava. Nunca tive dúvidas, em nenhuma das nossas interações, que ele queria estar comigo de verdade.
Daí pra frente é história. Foram altos, baixos, mudança de cidade, de rotina e de vida. Sobrevivemos a uma pandemia e a uma residência de Ortopedia juntos. Construímos um relacionamento forte, nos nossos moldes, longe de qualquer interferência externa. E todo ano, quando eu entro naquele apartamento do circuito, pronta pra curtir o primeiro dia de festa, eu penso em como o Carnaval, que eu sempre amei, agora também é o momento que simboliza a materialização do nosso amor e do nosso encontro nessa existência!
- Versão do Noivo
Uma mineira e um baiano, que moravam em São Paulo, se conheceram no carnaval de Salvador.
Parece até começo de piada de tiozão, mas essa é nossa história!
Ela gosta de música eletrônica, eu de pagode; ela gosta de filme/série de drama, eu de ação/aventura; ela trabalha remoto, eu presencial; ela fala pelos cotovelos, já eu, sou mais quietinho (vide a bíblia que ela escreveu aí em cima e meu textinho singelo)… e como, entre tantas diferenças, conseguimos nos tornar um casal??
E a resposta é bem simples: no meio desse caos, escolhemos abraçar as diferenças um do outro e aprender com elas, nos tornando, além de um casal, melhores amigos, que amam conversar, fazer viagens, trilhas, curtir muito com os amigos e com certeza, muito carnaval!!
E assim somos: Totalmente diferentes e ao mesmo tempo totalmente iguais!